29 de agosto de 2008
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24 de agosto de 2008
Promoção: uma ferramenta ou uma arma?
Enviado por Aristides Faria - RH em Hospitalidade
Dando continuidade aos nossos textos, escreverei aqui sobre a promoção do turismo. Há cerca de seis anos fiz um curso com temas ligados ao Turismo (minha formação acadêmica) e a diversos outros, como língua espanhola. Um dos professores, Valdemir, falara naquela ocasião sobre Meio Ambiente. Dentro do contexto ele disse:
- “Graças a Deus que nós temos a sazonalidade aqui na Ilha (de Santa Catarina)!”.
Dentro de um curso de graduação em Turismo, uma das grandes fontes de debate é justamente as estratégias de eliminação do efeito sazonal (extrema baixa no número de turistas durante determinadas épocas) nas cidades, regiões e países. Naquela hora, uns riram, outros ficaram intrigados, outros concordaram. Você concorda? Antes que qualquer reação mais aguda, ele continuou:
- “Se não fosse este período de meio ano para que o ambiente se recuperasse, não restariam mais áreas de restinga, os rios da cidade estariam agonizando e as praias e as lagoas estariam altamente poluídas”.
E agora, você concorda com ele?
A promoção dos destinos turísticos pode ser uma ferramenta ao incentivo do Turismo organizado e profissionalizado, como pode ser, se mal aplicada, uma arma contra o bem estar da população local e à integridade do ambiente (urbano, rural e natural). Comentamos os impactos e benefícios no texto 1, confira!
Acompanhando as propostas para o setor turístico dos candidatos à prefeitura e à câmara para as eleições, fico aterrorizado, apesar de perceber um bom esforço dos principais candidatos para escolher as palavras e as diretrizes de governo.
O assunto predominante é a quebra da sazonalidade. Mas, será que isto é suficiente para a geração de postos de trabalho para pessoas qualificadas, com remuneração justa, que possibilitem visão de carreira e não, simplesmente, de ocupação de temporada? O que importa, definitivamente, é a geração de incentivos aos empresários, criação de regulamentos para utilização dos espaços públicos e conseqüente educação para tal e a fiscalização ao cumprimento de tais condicionantes e às leis já em vigor há tantos anos.
Há candidatos falando em arenas multiuso, centros de convenções gigantescos e empreendimentos fora do comum! Ninguém fala sobre dispersão geográfica de investimentos, interiorização do turismo, aproximação entre comunidade e turista, segmentação de mercado, conservação ambiental, capacitação da mão de obra, contenção dos fluxos migratórios, fluxo circular da renda. É incrível como os projetos arquitetônicos são apresentados à comunidade leiga. Sob aplausos, os candidatos e seus assessores não preocupam-se com os impactos negativos de tais investimentos. Um deles, afirma que a iniciativa privada e o governo estadual irão financiar toda a obra Agora pense:
1. Quem investiu vai querer recuperar o dinheiro acompanhado de um bom lucro em tempo recorde;
2. Os moradores estão entrando nesta sociedade com seus bens mais legítimos: seu território e o comprometimento de sua qualidade de vida.
E o candidato trata este fato como um privilégio! Vai entender...
Aloha!
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