5 de fevereiro de 2009

Reciprocidade X Irresponsabilidade: Os marqueteiros do turismo brasileiro

Enviado por João dos Santos Fillho - PUC/SP

Mais uma vez, parte do trade de turismo coloca em xeque a política de concessão do visto consular praticada pelo Ministério das Relações Exteriores em situação de embate, pois questiona o seu fundamento jurídico e ideológico a “Reciprocidade”, e propõe a sua revogação.

Esqueceram que a sociedade dos homens se transforma ao longo de sua história em “Estados - Nações”, caracterizando, culturas, economias, povos e territórios diferentes e específicos. Que devem ser respeitados em sua idiossincrasia, sendo assim, a única maneira de procurar manter o equilíbrio de respeito ao outro no campo da hospitalidade mútua entre países é por meio da “Reciprocidade”.

A reciprocidade é à base do respeito entre diferentes nações que buscam manter um equilíbrio da “hospitalidade possível”. Fazendo que, com isso as relações de eqüidade se mantenham afastadas formalmente das relações de subordinação e subsunção do poder, por isso a reciprocidade é o instrumento necessário para garantir a pseudo-igualdade.

Esta acalorada discussão se dá no interior do governo, que por sinal vem desenvolvendo uma política exterior consciente de aproximação dos países emergentes, mas não consegue impedir que seu primeiro escalão tenha propostas antagônicas no que se refere à necessidade do visto consular. De um lado o Ministério do Turismo, que de forma insistente defende a lógica da flexibilização da lei do visto, alegando que se não houvesse à cobrança da taxa de 100 dólares por turista americano, poderiam pular de 700 mil para 2 milhões de turistas. E de outro a política sensata desenvolvida pelo Ministério das Relações exteriores pela defesa da manutenção do visto segundo o principio da “Reciprocidade”.

È inacreditável como o Ministério do turismo consegue fazer previsões matemáticas inflacionadas, e afirmar que a escolha do americano em visitar o Brasil é retraída em virtude da cobrança da taxa. Mais uma vez, o Ministério de Turismo e a própria EMBRATUR apostam no critério do achismo. Se não é verdade! Que apresentem as pesquisas e suas respectivas metodologias, bem como a tabulação e as conclusões, que entendemos estarem formuladas em um projeto de pesquisa.

Não podemos voltar ao velho esquema de metas e dados em geral subestimados relativos ao turismo, na qual foi prática que apareceu desde o nascimento da EMBRATUR, ou ficar a mercê dos delírios marqueteiros de programas que, em vez de ajudar a consciência do turismo brasileiro, foram desastrosos segundo próprio depoimento de um de seus presidentes.

Devemos registrar também que, esse embate entre MRE e MT ocorre desde quando a EMBRATUR criou os Escritórios Brasileiros de Turismo (EBTs) que são unidades avançadas de promoção, marketing e apoio à comercialização de produtos, serviços e destinos turísticos brasileiros no mercado internacional. E sem concurso público ou princípio parecido nomeou para ocupar os cargos, apadrinhados políticos que acabaram tomando e privatizando um espaço que era antes do MRE.

A irresponsabilidade é tão marcante para aqueles que pedem a não exigência do visto, pois só enxergam o turismo dentro da escala estatística com uma metodologia secreta, que só eles têm acesso. Além do que, insistem em fazer uma análise simplista da política exterior brasileira construindo atritos com o Ministério das Relações Exteriores.

Sabem que outro dia, um professor amigo foi a EMBRATUR para apresentar o projeto de um grande evento nacional, após ter explicado minuciosamente os objetivos e sua importância cultural, pedagógica e artística. O funcionário que estava atendendo fez à seguinte observação: Certo, gostei de sua explicação, mas o que importa é saber, qual é a imagem desse evento para o desenvolvimento do turismo brasileiro.

Enquanto o turismo não for pensado com seriedade teremos os seguintes desastres que vão ocorrendo:
  1. A destruição de parte do litoral brasileiro por complexos hoteleiros Resort´s criados sem qualquer padrão de sustentabilidade turística, expulsando ribeirinhos, destruindo a mata nativa e obrigando a população a viver nos manguezais;
  2. O nepotismo histórico praticado dentro da EMBRATUR;
  3. Depois de mais de um ano de denúncias a EMBRATUR e o Ministério de Turismo denunciam o Guia turístico Rio For Partiers;
  4. A falta de uma “Política Nacional para o Turismo” global, e não parcial. Na verdade a Política Nacional de Turismo esta fragmentada em uma dezena de ações que levam ao um perfeito Bricouleur.
  5. Indicações políticas para o preenchimento de cargos da área do turismo que por direito deveriam ser por concurso. Como as diretorias dos EBT´s nos países Portugal, Japão, Inglaterra, Itália, Espanha, Estados Unidos Costa Leste, Estados Unidos Costa Oeste, Alemanha, França.
Enquanto não existir uma Política Nacional de Turismo que contemple de fato o interesse do turismo doméstico e as estruturas Federais responsáveis voltarem suas ações para o povo brasileiro. Estaremos a mercê de sermos sempre preteridos do turismo de nosso próprio país.

2 comentários:

Aristides Faria disse...

O Prof. João é demais!!

Mais um texto show de bola!!

Parabéns, Professor!
Um abraço, Anderson!!

Aristides

Anônimo disse...

artigo muito bom
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